1974 – ALMADA NAS VÉSPERAS DA REVOLUÇÃO DE 25 DE ABRIL

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Almada e o “Movimento dos Capitães” (de Janeiro até à noite do dia 24 e na madrugada de 25 de Abril de 1974):

Os capitães prosseguem o processo e, em conjunto com oficiais ligados ao General António Spínola, preparam o golpe militar. A partir de Janeiro de 1974, o “Movimento” organiza comissões que estruturam a acção e um programa com os seus objectivos. A exoneração dos generais António de Spínola e Costa Gomes pelo Professor Marcelo Caetano veio dar força àqueles que, dentro do “Movimento”, acreditam num golpe militar que, restaurando as liberdades cívicas, permitisse a tão desejada solução para o problema colonial. Promovem-se outras reuniões, já com a presença de oficiais da Marinha e da Força Aérea, sendo a última realizada numa residência em Cascais. Depois de um levantamento militar fracassado, em Março, conhecido por «golpe das Caldas», o “Movimento” prepara a operação militar que vai por fim ao «Estado Novo».

Nesta fase conspirativa, e clandestinamente, o movimento popular e democrático de Almada liga-se, através do médico José Malheiro e do operário João Raimundo, a sectores militares que preparavam a Revolução a qual não foi, portanto, um acontecimento que tivesse surpreendido alguns democratas do concelho de Almada, na madrugada de 25 de Abril.

Na noite do dia 24 e na madrugada de 25 de Abril de 1974 decorre a operação «Fim de Regime», de acordo com o plano previamente definido depois das canções – senhas transmitidas («E Depois do Adeus», de Paulo de Carvalho, cerca das 23 horas, e a «Grândola Vila Morena», de José Afonso, hora e meia mais tarde), as unidades militares saem dos quartéis para cumprirem, com êxito, as missões que lhes estavam destinadas: ocupação das estações de Rádio e da RTP, controlo do aeroporto e dos quartéis – generais das regiões militares de Lisboa e do Norte, cerco dos ministérios do Terreiro do Paço, entre outras acções planeadas.

Destas unidades desloca-se, em direcção ao concelho de Almada, uma coluna militar da Escola Prática de Artilharia, de Vendas Novas, composta por duas forças comandadas pelos capitães Oliveira Patrício (à frente de uma bateria com seis secções de bocas de fogo) e Mira Monteiro (com uma companhia de artilharia de quatro pelotões com funções de infantaria), que ocupam, pelas sete horas da manhã de 25 de Abril, as imediações do santuário do Cristo Rei. A bateria, atrás referida, tem como principal objectivo bater em tiro directo qualquer coluna militar afecta ao Governo que tentasse atravessar a ponte sobre o Tejo, ou qualquer navio hostil que manobrasse no estuário do Tejo, e em tiro indirecto para outros objectivos pré-preparados. Uma outra coluna militar de viaturas do Regimento de Cavalara n.º 3, de Estremoz, comandada pelo Capitão Alberto Ferreira, surge, com algum atraso em relação à hora prevista, na Cova da Piedade, que, depois de ir ao encontro dos militares instalados no Cristo Rei, vai juntar-se às tropas comandadas pelo Capitão Salgueiro Maia, em Lisboa. O Destacamento de Fuzileiros e o Grupo n.º 2 de Escolas da Armada da Base Naval de Lisboa, do Alfeite, juntam-se às forças armadas.
(Alexandre M. Flores)

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— anotações citadas no livro: «Poder Local Democrático, um Património do Povo: os primeiros anos da democracia da Comissão Administrativa…em Almada», sob a direcção geral de Alexandre Flores e Ângela Luzia, e outros colaboradores, CMA, 2013, pág.11.
Ver também outros trabalhos, como: Alexandre M. Flores – «Almada Antiga e Moderna», vol. III, Almada, CMA, 1990, páginas 193 e 194; Idem, «Almada: das origens à elevação a cidade»,, Almada, 1994, pág. 36; «Antes do 25 de Abril: Spínola mantinha ligações secretas com o PCP», “Outra Banda”, A. IV, n.º 83, 21 de Abril de 1994, páginas 1 e 3; Rodrigo Junqueira – «Almada na Revolução de 25 de Abril», in “Outra Banda”, A. IV, n.º 83, sup. especial, 21 de Abril de 1994, p. VII; «Memória Viva de há vinte anos», “Margem Esquerda”, Almada, n.º 0, Abril de 1994; Alexandre Flores e António Policarpo – «Arsenal do Alfeite; contribuição para a História da Indústria Naval em Portugal», Laranjeiro, Junta de Freguesia do Laranjeiro, 1998, páginas 171, 174 e 180.
— Imagem: coluna de militares no Cristo Rei, Pragal. Reprodução da foto cedida por Oliveira Pinto, para ser publicada no livro, atrás referido: «Poder Local Democrático…»

Gabriel Quaresma

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