2000 – Almada está a crescer, mas a que preço?

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2000


O crescimento urbano e Almada, faz parte do dia a dia dos seus habitantes.A velocidade com que
se modifica a paisagem com m3s de cimento é impressionante.Para bem de alguns e para mal de muitos,essa evolução estonteante é sinónimo de melhoria de vida de milhares de cidadãos que compram por preços exorbitantes
uma caixinha para morar.
As novas torres da Rua do Brejo,o novo bairro do Alto do Indio, o Mega Centro Comercial “Fórum Almada”, estão a fazer da cidade uma referência Nacional de bem estar social.
Fala-se ainda do Plano de Urbanização da Frente Ribeirinha ou do Projecto Nova Almada Nova que prometem animar os proximos meses com propostas arrojadas para a Arquitectura da futura metrópole.
Mas será que tudo está bem ?
Será que as pessoas, estão realmente a viver melhor?

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Nos ultimos dias, com o agravamento das condições climatéricas, as velhas casas de alguns bairros degradados, começaram a revelar, o verdadeiro estado urbano de uma Almada que já vem do tempo dos Mouros.Nas Barrocas, na Romeira, no Monte de Caparica, na Trafaria , existem nixos de
Velhissimas habitações, muitas agrupadas em “pátios”, que albergam centenas de famílias.

Os “Pátios” são uma herança da industrialização

No início do século XX, Almada foi invadida por trabalhadores vindos de todo o país e que procuravam colocação
nas fábricas desta e da outra margem. Para muitos, este lado era apenas um dormitório , pelo que se desenvolveu a construção de grupos de pequenas casas e mais tarde alguns bairros os quais nunca tiveram um planeamento sério a nivel do saneamento básico, e que foram ficando ao longo dos anos como um legado “histórico”mas sem condições, que por deixar de ser rentável para os senhorios, se foi degradando.

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Muitos desses amontoados de casas, foram posteriormente ocupados por outros trabalhadores, estes vindos das ex colónias, que reconverteram as casas à sua maneira sem qualquer tipo de preocupação com segurança ou higiene.
É claro que passados 18/20 anos as paredes, o tecto a instalação eléctrica a canalização e o saneamento, estão totalmente degradados e os habitantes, vivem em permanente agonia esperando a queda da casa a qualquer momento.
Para agravar a situação, muitas das pessoas que vivem nesses bairros, são idosos e doentes, e a maioria não tem qualquer possibilidade de pagar uma renda para uma casa nova.

No Raposo-Monte Caparica as casas estão a cair

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Os moradores aguardam há anos
o realojamento por parte do Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado , proprietário das casas,
mas que não se entende com a Câmara de Almada na resolução do problema que afecta 200 famílias as quais foram já recenseadas em 1993, no âmbito do Programa Especial de Realojamento.Agora as casas
estão a cair, e os moradores sofrem ainda com o degredo provocado pela demolição das habitações que entretanto são desocupadas. As ruas são lama,lixo, entulho e rios de água da chuva.

Na Raposeira –Trafaria
os moradores não querem sair

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Na falésia da Trafaria o perigo
não desmoraliza as famílias que ali vivem e tentam impedir a
Câmara de Almada de demolir cerca de 100 habitações. Afirmam que o desabamento há
4 anos e que provocou a morte de 2 pessoas foi noutro local do Porto de Brandão,e a juntar-se
à providência cautelar que impediu a demolição, vão avançar com acções de anulação de editais a entregar no Tribunal
Administrativo.
Os residentes dizem mesmo que
A Câmara “algum motivo tem”
por querer demolir sem o consentimento dos moradores.

Gabriel Quaresma

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