2000 – Agonia da Lisnave

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28 de Dezembro 2000
Com encerramento marcado para o próximo dia 31 de Dezembro, os estaleiros da Margueira começaram a dar sinais de desmantelamento, com a saída de inúmeros camiões carregados de sucata,contentores,máquinas, hélices, lemes etc.
Para traz ficaram 33 anos de história industrial.
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O maior estaleiro naval Português,e um dos maiores do mundo desaparece de Almada.
A transferência do pessoal para os estaleiros da Mitrena em Setubal , traz alguma consternação
entre os trabalhadores, especialmente aqueles a quem, os muitos anos de trabalho já pesam, e
que se vêm agora forçados a uma deslocação diária mais penosa.
A Lisnave, foi inaugurada em 1967, e chegou a ter em laboração mais de 1300 trabalhadores.
Em 1993 o Conselho de Ministros deliberou que os terrenos do estaleiro da Margueira reverteriam para o Estado.
Mais tarde foi constituído o Fundo Margueira Capital para que o Estado pagasse ao Grupo Mello a indemnização de 50 milhões de contos. Em 1999 a sociedade gestora do fundo Apresentou uma proposta de rentabilização Urbanistica para a zona, a Nova Almada Nova, também conhecida como “Manhattan de Cacilhas” com a qual a Câmara de Almada não
concorda, pelo que aprova Plano de Urbanização da Frente Ribeirinha.
Para já o estaleiro, vai ficar completamente desactivado, permanecendo de pé o pórtico com as letras Lisnave bem como o edifício da Administração.A iluminação da via publica exterior está a ser reforçada pois a partir do
próximo Domingo a laboração diurna e nocturna vai deixar de existir.

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A população de Almada vai ficar mais pobre

Os trabalhadores, não encaram a situação de bom grado,tanto mais que nem sequer foram ouvidos
em todo este processo.O Sr. João Pires da Comissão Intersindical diz-nos que:
“O que se pretende aqui é o nascimento de um complexo imobiliario que vai dar azo à especulação
dos terrenos, e neste momento não hà nada a fazer,temos que ir para a Mitrena de Setubal”.e diz ainda
“Há um conjunto de trabalhadores, a quem lhes é assegurado o emprego,mas as pequenas empresas
subempreiteiras e os seus empregados vão ter algumas dificuldades.”

2001


Operários da Lisnave esperam indemnização


Os trabalhadores da Lisnave
despedidos em 1985,promo-veram um encontro para analisar a sua situação, e
decidiram enviar ao Ministro
da Economia uma proposta de integração de alguns trabalhadores na Gestnave.
Apesar de no último ano terem enviado 42 ofícios aos orgãos de soberania, e não terem obtido respostas,dizem
“que a luta continua” e alegam que os despedimentos foram por motivos políticos e exigem que o problema seja resolvido caso a caso e que sejam pagas indemnizações justas.

Gabriel Quaresma

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