2001 Cacilhas – Nos próximos dois anos passageiros passam a desembarcar junto ao Cais do Sodré

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Muitos foram os passageiros do cacilheiro que ontem, ao chegar a Lisboa de manhã, ficaram surpreendidos por estarem no Cais do Sodré e não no Terreiro do Paço, como há muitos anos acontecia.

A nova localização do terminal, agora na Ribeira das Naus, junto ao Cais do Sodré, não agradou a muitos, que se queixam ainda de não terem sido informados da mudança. O administrador da Transtejo José Ascensão diz que a transferência – que o Metropolitano de Lisboa prevê que dure dois anos – também não lhe agrada, mas que é um “mal necessário” para as obras do futuro “interface” do metro no Terreiro do Paço. Garante, no entanto, que os passageiros foram devidamente informados através de cartazes e folhetos informativos.

João Lima Almeida, que viaja diariamente no cacilheiro, recorda que, como os “ferry-boats” já atracam na mesma zona, agora todos os barcos vindos de Cacilhas têm o mesmo destino. Beatriz é outra passageira apanhada de surpresa pela mudança. Mas neste caso é a segunda vez: “Quando vim para Lisboa no dia 31 desembarquei no terminal aqui ao lado, do ‘ferry’ [onde na última semana foram feitos todos os desembarques]. Hoje saí noutro lado e confesso que ainda não me orientei. Sabe dizer-me onde é a saída?”

José Conceição, que vive em Almada e trabalha em Lisboa, admite que ouviu falar dos folhetos distribuídos pela Transtejo, mas não viu nenhum. Considera “inadmissível” a falta de informação. Quanto à localização, acha-a “boa para o Verão, mas muito má para o Inverno”.

“Quando chover não faço ideia de como vamos chegar ao emprego”, observa. Fernando Estrela, outro passageiro, comunga da mesma opinião e ironiza, dizendo que deve estar muito distraído, porque não ouviu a falar de obras do metro nem viu cartazes informativos.

Roldão Ferreira, com cerca de 70 anos, deparou-se com o cais encerrado quando chegou ao Terreiro do Paço e também não viu nenhum cartaz . “Então dirigi-me para o ‘ferry’, mas não estou a entender, porque está tudo em obras.”

Vanessa Cardoso, 19 anos, estudante de Psicologia, já sabia que o local de chegada tinha sido alterado, mas mostra-se também descontente com a mudança: “Até aqui tinha sempre autocarro. Agora nem sei onde são as paragens, e as obras complicam ainda mais.” Apesar das garantias dadas pela Transtejo, o PÚBLICO não encontrou, na nova estação fluvial, nenhum cartaz informativo.

O comandante Abreu, responsável operacional da Transtejo, admite que as informações sobre a transferência só começaram a ser fornecidas ao público “há quatro ou cinco dias”, porque a transportadora “não sabia qual o dia preciso de abertura do cais da Ribeira da Naus”, da responsabilidade do Metropolitano. “Em cerca de 65.000 mil pessoas que passam todos os dias as margens, é natural alguma insatisfação”, diz. Quanto à localização, garante que a Transtejo queria construir o cais provisório mais perto da Praça do Comércio, mas foi condicionada pelo estaleiro de obras do metro.

Os passageiros podem usar o bilhete de barco no metro, entre as estações do Cais do Sodré e a Baixa-Chiado, mas também desconhecem esta facilidade.

Um funcionário da Transtejo queixa-se da falta de condições de trabalho no novo cais da Ribeira das Naus. O comandante responde que, a nível operacional, a sua qualidade não difere dos outros. “Talvez seja por ainda estar em fase de acabamentos”, refere, adiantando que a cobertura do Cais da Alfândega ainda vai ser para ali transportada.
In:::: PÙBLICO

Gabriel Quaresma

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